Tendo em conta que o próximo ano será um ano de mudança, em que todos teremos que fazer algo para sair da crise em que o planeta se encontra, tomar as rédeas do destino nas nossas mãos e guiar a carroça para a frente, a moda deve surgir como reforço da imagem, de ideais, tem que auxiliar as mulheres a sentirem-se capazes de o fazer. Assim sendo, para mim há que definir quatro tipos de atitudes, ou vertentes, se assim o preferirem chamar: a Camuflagem; o Escape; o Regresso às Origens; a Aventura.
A camuflagem, não deve ser seguida à letra. Esqueçam os estampados militares caquis, que não é disso que se trata, (apesar dos casacos com inspiração militar surgirem na moda mais casual). Trata-se de um optimismo sereno que leva os jovens a adaptar-se ao mundo que os envolve. Trata-se de uma explosão de cores e padrões que subvertem o quotidiano em momentos de espontaneidade, onde o bem-estar se torna o único tom. Os jovens têm carta branca para criar e personalizar o seu estilo, num espírito de reciclagem e adaptação ao mundo. Misturem os anos 80 com a tecnologia do Séc. XXI, misturem o desporto com a música e criem novas danças de dinamismo. Exibam a vossa energia através dos sabores do passado, brinquem com o que era considerado mau-gosto e criem novos padrões de bem-vestir. O mote é parecerem, insanamente, divertidos. Misturem as cores quentes como o vermelho, o laranja e o amarelo, com tons mais sóbrios como os verdes e os azuis intensos. O próximo Verão será feito de excessos. Usem malhas perfuradas, fluidas e flexíveis. Brinquem com as transparências, e façam acreditar que se vê, o que na realidade se esconde. Assim o vosso estilo será a camuflagem perfeita para um mundo em constante mudança.
O Escape, será um subterfúgio para nos mantermos calmos e concentrados na luta que o próximo ano representa. Esta atitude retratará o desejo de evasão, a necessidade de fugir para um lugar bem distante de tudo, de procurar novos ideais de espiritualidade. A mulher terá que arranjar uma forma de escapar à realidade de luta do dia-a-dia, procurando na fantasia exótica cheia de romance e mistério, um subterfúgio capaz de a manter sã. Deixe-se embalar pelas sensações de África e do Oriente, numa fusão de culturas. Liberte a boémia que existe dentro de si, adopte códigos e atitudes dos anos 60 e 70, estilize a hippie que sempre quis ser. A inteligência será demonstrada através da forma como misturará os estilos, como os poderá tornar coesos e relaxantes, para se tornar de novo livre. Misture as sedas com motivos étnicos, com algodões e malhas de aspecto rústico. Brinque com as riscas e funda-se com o horizonte.
O Regresso ao Passado, não se trata de se vestir como as raparigas da “Casa na Pradaria”, ou como a Madame Pompadour. trata-se sim de dar voz à necessidade ambientalista, de fazer algo ecológico, de nos juntarmos à causa para prevenir o Aquecimento Global. Trata-se de voltarmos ao básico e ao essencial, largar de vez a ostentação, pelo menos no vestuário. É altura de parar com desperdícios, de reutilizar o que está guardado, de comprar peças que sabe que poderá estar a uso no armário durante várias colecções, vários anos. Há que investir na simplicidade extrema, onde o ambiente tradicional japonês, serve de mote. Tons claros e neutros, em tecidos naturais e sustentáveis são apresentados em modelos de linhas puras, tendo o Origami como ponto de partida para a imaginação e diferenciação do seu estilo: simples dobras de tecido num vestido, transformá-lo-ão numa autêntica Obra de Arte. A chave é a descontracção num look fresco, confortável e fluido. Tente criar para si, mais do que uma fantasia de escape, crie, para si mesma, uma nova geometria de corpo.
A Aventura, aparece-me como consequência de um Mundo globalizado por explorar. Temos cada vez mais acesso ao que nos rodeia de forma virtual, mas esta possibilidade tem que ser explorada fisicamente. Recordo-me da época em que o o Oeste Americano estava a ser explorado, como o espírito simples, modesto, campestre, ensolarado era um mote para explorar novos horizontes sem fronteiras, nem barreiras. A atitude era descontraída e livre. Mais tarde, na década de 50, esta atitude foi-nos recordada pelo saudoso James Dean e pela música negra que começou a ser explorada e descoberta por todo o mundo. Assim, nada como adaptar ao estilo urbano, um pouco da experiência militar, de forma a tornar as roupas mais propícias para explorações longínquas. Mas alie um estilo western também, para que a evocação de longas cavalgadas pelo deserto, nos sugiram calma e serenidade. Transfiram isso para a roupa através dos algodões resistentes, com quadrados de escala média e micro, recordando a camisa cowboy, jeans de aspecto lavado e usado, tecidos estampados com motivos florais de todos os tamanhos, em algodão seda, coletes, lenços e suspensórios. Num instante e com muita reutilização de guarda-fatos, ficarão prontos para enfrentar as aventuras de Verão, num instante.
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